Muito se fala da busca pela felicidade e que, no fundo, todos nós, do bom mocinho ao bandido, estamos em busca de sermos felizes. Mas a felicidade não é o destino e nem o ponto final, mas sim momentos presentes no percurso, na estrada da vida. Você consegue perceber esses momentos no seu cotidiano? Tem autoconhecimento suficiente para isso?

Muitos de nós, por vezes com a cabeça tão cheia de metas, prazos, busca por resultados, regras de conduta, receitas de como viver melhor, acabamos com o foco no futuro, no vir a ser e, assim, o presente passa despercebido. Será que é possível estarmos atentos às pequenas alegrias cotidianas, que nos dizem que a felicidade já existe e nós não estamos reconhecendo isso?

Vou dar alguns exemplos de pequenas coisas que me sinalizam que eu sou uma pessoa feliz, ainda que, sim, eu continue a buscar melhorar as experiências que vivencio. No meu manual pessoal para reconhecer a felicidade, destaquei alguns acontecimentos e experiências mais marcantes ou que são relativamente frequentes.

Como no dia em que meu sobrinho-afilhado nasceu e eu peguei ele no colo ainda dentro do centro cirúrgico. Quando meu gato se deita ao meu lado ronronando e virando a barriguinha pra pedir um afago. Quando abro uma garrafa de vinho, brindo com as pessoas que estão compartilhando esse momento comigo e digo “saúde” olhando no olho de cada um. Encontrar minhas primas nas festas de família. Ver minha avó sorrindo. Fazer piqueniques em dias de sol. Quando revejo amigos de infância e passamos horas relembrando os velhos tempos. As vezes em que danço de maneira esquisita mas não tô nem aí pro que estão achando. Ah! Tem também aquele momento depois do almoço que bate um soninho e você se entrega à cama ou ao sofá sem nenhum peso na consciência. Me lembro ainda das vezes em que desembarquei sozinha em algum aeroporto estrangeiro e me enchia daquela sensação de que ainda tinha muito a desbravar nos dias que se seguiriam ali, da excitação da incerteza.

Ou quando sento num restaurante e recebo um prato de encher todos os sentidos, os olhos, o olfato e, claro, o paladar. Quando vou a um show em que eu sei cantar quase todas as músicas. Quando eu canto no trânsito fingindo ter um microfone na mão. Ver uma árvore carregada de flores. Ver bebês sendo fofos. Da vez que eu fui buscar meu sobrinho na escola e ele veio correndo e gritando “Dindaaaa” (e depois me apresentou pros coleguinhas). Saber que tenho pais maravilhosos e que são presentes. Por ter a habilidade de fazer amigos por onde quer que eu vá. Por conseguir rir dos meus estresses e ansiedades (depois que eles passam). Quando posso ficar em casa num dia de chuva assistindo Netflix. Quando como brigadeiro com minhas amigas. Quando vejo um botão de flor que está pra nascer (gente, tenho obsessão com isso!). Quando percebo que estou dançando e cantando enquanto cozinho. Quando fui aprovada na minha defesa de mestrado depois de meses de agonia. Andar descalça pela casa no dia que a faxineira vem. Ter no que pensar, pra onde ir e pessoas à volta.

E pros momentos em que nada disso fizer sentido, vale lembrar da canção maravilhosa Ain’t got no life da também maravilhosa cantora Nina Simone, que diz que mesmo que não se tenha nada, ainda se tem a vida: “tenho o meu cabelo, tenho minha cabeça, tenho meu cérebro, tenho minhas orelhas, tenho meus olhos, tenho meu nariz, tenho minha boca, eu tenho a mim mesma, tenho meus braços, minhas mãos, tenho minhas orelhas, minhas pernas, tenho meus pés, e meus dedos, tenho meu fígado, tenho meu sangue, eu tenho uma vida! Eu tenho vidas!”.

E você, tem o quê pra te mostrar que você é (ou pode ser mais) feliz?

Sobre a autora
É psicóloga e atende por vídeo-chamada no Zenklub

Andrea Cunha

Andrea Cunha

Andrea trocou Direito por Psicologia e descobriu seu verdadeiro propósito de vida. É neuropsicóloga, Coach de Vida e mestre em Psicologia da Saúde com estrada de mais de 10 anos na área de reabilitação. Acredita que PRESENÇA e CONSCIÊNCIA são chaves para transformar qualquer realidade!
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