Devido ao atual cenário político e jurídico conservador no Brasil, mais uma vez veio a tona a discussão sobre a “cura gay”. O que muita gente não sabe é que, além de ser consenso na comunidade científica, que orientação sexual não tem nada de doença. Desde 1999 o Conselho Federal de Psicologia (CFP) veda qualquer tratamento das homossexualidades através da resolução 001 daquele ano. Portanto, não cabe cura. Cabe, antes de mais nada, validação irrestrita da sua orientação, seja ela qual for. “Beleza, bom saber disso!” Mas como um psicólogo pode lhe ajudar a se assumir?

Para falar sobre isso eu convidei meu estimado colega, o psicólogo Felipe Tiso, que possui afinidade profissional e pessoal com o tema. Hoje vamos compartilhar três estratégias terapêuticas que podem te ajudar no processo de assumir e aceitar a sua sexualidade. Vamos lá?

Procure compreender a importância de se assumir

“Se alguém que é heterossexual não precisa se assumir, porque eu deveria?”. Bom, o fato de vivermos em uma sociedade onde apenas uma forma de experiência da sexualidade e de gênero seja vista como normal, faz com que aquelas pessoas que se identificam de outra maneira (bissexuais, travestis, homem-trans, lésbicas, gays… e a pluralidade é infinita!) se incomodem em algumas situações.

Seja por raramente encontrar uma personagem história ou na TV que o represente, ou por pressão social feita por parentes e colegas e até mesmo por discriminação e violência. Cada um vai ter um motivo para escolher se assumir ou, inclusive, para escolher não fazê-lo! Procure ter clareza sobre o que te motiva, e lembre-se de que você tem o direito de dar a última palavra sobre suas escolhas.

Na clínica nós podemos ver que ao buscar entender as motivações da sua escolha, assim como as consequências dela para sua saúde mental, um psicólogo pode contribuir muito com suas reflexões.

Fique de olho nos seus pensamentos distorcidos

Pensamentos Distorcidos ou Distorções cognitivas acontecem quando acreditamos que as coisas são de uma forma quando na verdade são de outra. Esses erros de percepção podem nos trazer bastante sofrimento psicológico! Vamos pegar exemplos de pensamentos comuns (e distorcidos!): “ser homossexual é algo errado e vergonhoso”; ou “as pessoas não vão mais gostar de mim se eu falar o que realmente gosto”.

Quando esses pensamentos vêm à cabeça eles podem parecer irrefutáveis, mas esse tipo de padrão também pode ser questionado sistematicamente através de técnicas terapêuticas. A medida que o processo terapêutico progride, poderíamos perceber que, na verdade, os dois exemplos têm mais a ver com preconceitos vindos de fora. Acabamos interiorizando e aceitando, erroneamente, como verdades ao longo da vida.

Crie uma rede de apoio para se assumir

A escolha de se assumir pode criar uma sobrecarga emocional muito grande e depende, entre outras coisas, de como está o ambiente à sua volta. Procure conversar primeiro com os amigos mais próximos ou com os familiares com os quais percebe uma empatia maior com você. Essas pessoas, ou até mesmo alguns profissionais, podem ser importantes fontes de ajuda caso sinta a necessidade de acolhimento ou apoio.

Conhecidos que já passaram por situação semelhante podem ser de grande ajuda também. Se você não tem ninguém assim no seu círculo social, bastam alguns cliques em um navegador e você pode ter acesso a grupos de apoio online. No facebook por exemplo, o TCHLBT conta com quase 60 mil membros. Você também pode procurar grupos locais da sua cidade para conhecer pessoas que sabem pelo que você está passando.

O mais importante nesse ponto é saber que você nunca está só nessa luta e hoje é muito mais fácil perceber isso! Seja com amigos e conhecidos ou com profissionais de psicologia que estão tecnicamente preparados para te apoiar.

E aí, você acha que essas ferramentas podem ser úteis? Compartilhe sua opinião nos comentários! Se identificou com esse conteúdo? Agenda uma consulta aqui para eu entender como posso te ajudar!

Alexandre Lima

Alexandre Lima

Graduado pela UFMG com ênfase em Clínica. Atua através da abordagem Analítico Comportamental. Possui um ano e meio de experiência atendendo e sendo supervisionado por especialistas em Análise do Comportamento e Neuropsicologia. Leia a descrição pessoal para me conhecer um pouco melhor!
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