Hoje vamos conversar sobre resiliência e como esse termo pode fazer sentido na sua vida de uma forma que você talvez nem imagine. Escolhi o tema, pois vejo muitas pessoas experimentando viver a resiliência, sem saber que estão fazendo, e há ainda aqueles que profetizam seu termo aos quatro cantos, mas de fato não sabem o seu verdadeiro sentido. Então que tal realmente se aprofundar no assunto e optar por viver conscientemente uma vida com resiliência?


Os porquês da resiliência

Sabe quando você já perdeu o rumo e a esperança de que algo ainda pode dar certo na sua vida? Quando tudo parece não ter mais sentido? Quando você sente que não adianta mais lutar, pois tudo que você investiu, dedicou, construiu, enfim, tudo foi embora em um sopro de qualquer coisa que você nem consegue ver de onde veio?

Então, todo mundo em algum momento se sente assim como você. Faz parte da existência humana acreditar, investir, crescer, perder, sofrer pela perda, desacreditar de tudo e, finalmente, acordar e acreditar novamente. Isso tudo é a prova de que a vida é feita de recomeços.

Mas o que faz com que algumas pessoas retomem seus sonhos e projetos novos com mais rapidez e eficiência que outras? E por que outras perdem tudo e descobrem que podem ser felizes de outro jeito, com outros projetos ou com outros parceiros? Nessas horas não vale entrar em desespero, afinal, todos somos diferentes e a grama do vizinho não é tão verde quanto você quer ver.


Afinal, o que é resiliência?

O termo resiliência quer dizer – em seu significado original, na Física, – o nível de resistência que um material pode sofrer frente às pressões sofridas e sua capacidade de retornar ao estado original sem a ocorrência de dano ou ruptura. A Psicologia pegou emprestada esta palavra, criando o termo resiliência psicológica, que se refere à capacidade das pessoas responderem às frustrações e estresses diários, em todos os níveis, e sua capacidade de recuperação emocional.

Quando começo a pensar sobre esse tema, gosto de relembrar as palavras Viktor Frankl, psiquiatra austríaco que enquanto prisioneiro em um campo de concentração, durante a segunda guerra mundial, escreveu o livro “Em busca de Sentido”, que dizia “Quem tem um “porquê”, enfrenta qualquer “como””.

Nesse livro, além dessa frase marcante, Frankl, mesmo em condições de total despojamento de identidade e sentido que a situação o colocava, percebeu que algumas pessoas se mantinham vivas e ativas, mesmo sem as mínimas condições de sobrevivência e sanidade. Outras enlouqueciam e se deixavam morrer. A esta capacidade de retomar a vida existente em um fio ele chamou de resiliência.

Ainda nesse contexto, Frankl afirma que a resiliência é “a vontade de sentido” do homem e que lhe permite resistir ao sofrimento e à dor sem sentido. Que a vida é sofrimento e, para termos qualquer esperança de sobreviver ou prosperar, precisamos encontrar sentido neste sofrimento. Por isso, tomamos a decisão de seguir em frente, de continuar acordando e vivendo dia após dia, porque acreditamos que existe um propósito maior e um senso de responsabilidade na nossa vida.

“Quando não conseguimos mais mudar uma situação, temos o desafio de mudar a nós mesmos.” (Viktor Frankl)


PILARES DA RESILIÊNCIA

Capacidade de enfrentamento

Todo mundo pode escolher entre enfrentar ou desistir. Sua vida não vai mudar se você não fizer alguma coisa a respeito e existem duas formas de interpretar os fatos e analisar a sua experiência de viver:

  •         Interpretação negativa dos fatos – Quando você se coloca na posição de vítima da situação, fecha os seus olhos para ela e conduz as suas emoções para o fracasso.
  •         Interpretação ativa dos fatos – Quando você assume a responsabilidade sobre os seus problemas e as suas dificuldades, e realiza uma atitude de autoanálise e análise de todos os aspectos que envolvem a sua experiência de viver. É basicamente um breve estudo do que realmente aconteceu, das suas perdas e seus ganhos, das pessoas que estão com você (e as que não estão), e se, enfim, realmente tudo acabou em um sopro. Você consegue tomar as rédeas da sua vida, principalmente, da parte que você sabe que ainda tem domínio.


Desenvolvimento de um projeto pessoal de vida

Ainda lembrando de Frankl, “O sucesso, como a felicidade, não pode ser perseguido; ele deve acontecer, e só tem lugar como efeito colateral de uma dedicação pessoal a uma causa maior”

O que Frankl quer nos dizer é que precisamos desenvolver projetos que tragam um sentido a nossa existência, pois isso nos torna pessoas mais resilientes frente às adversidades da vida. Quando temos um projeto maior para nos apoiar, passamos a entender que os problemas são apenas obstáculos a serem superados, pois o que se persegue é algo muito maior.

Então, deixe o mimimi, a autopromoção e o alarde de lado, e simplesmente faça algo por você, algo importante, por menor que possa parecer.

 

Capacidade de compreender nossas emoções

Pode parecer algo simples, mas não é o que ocorre. Vivemos usualmente sem entrar em contato com as nossas emoções e isso pode nos confundir bastante. Estar atento aos nossos sentimentos é uma das maneiras mais simples de desenvolver nossa capacidade de enfrentamento emocional. Então, quando você entra em contato com as suas emoções, você se torna mais ágil na busca por aquilo que realmente o faz bem, como também o ajuda a evitar as famosas “ciladas”, que o faz tão mal.


O RECOMEÇO

Parece tema de novela das 8, mas não é! Veja algumas dicas que separei para te ajudar nesse tão esperado Recomeço pessoal:

  1. Avalie a sua trajetória: veja tudo o que foi bom e o que poderia ter feito diferente;
  2. Responsabilize-se: analise a sua parcela de responsabilidade em todos os momentos do ciclo, principalmente no fim;
  3. Exercício: olhe para dentro de si mesmo e veja qual sua interpretação para os fatos, vítima ou protagonista da sua história?
  4. Busque o que você sabe e gosta de fazer: pesquise, fique atento, sonhe e faça planos;
  5. Use a criatividade: desenvolva um novo projeto, pautado em sua experiência, com maturidade e responsabilidade;
  6. Tenha foco, fé e esperança.

 

videoconsulta com especialistas

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Se quiser desenvolver a sua resiliência no Zenklub você pode encontrar um especialista, assim como eu, Cladismari Zambon, para conversar. Agende sua sessão por videoconsulta, a qualquer dia e de qualquer lugar.

 

Cladismari Zambon

Cladismari Zambon

Sou psicóloga com 30 anos de experiencia clínica e corporativa em empresas de grande porte. Experiencia acadêmica de 20 anos em cursos de Graduação e Pos-Graduação. Especializada no acompanhamento de adultos e idosos, nas questões que envolvem o crescer e o envelhecer.
Cladismari Zambon