Re-pre-sen-ta-ti-vi-da-de (substantivo feminino): 1 – Caráter do que é representativo; 2 – Qualidade reconhecida a um homem, a um organismo, mandatado oficialmente por um grupo de pessoas para defender os seus interesses. (Dicionário Priberam). Mas o que isso quer dizer? Que a representatividade está presente diariamente em nossas vidas e que sim, nós precisamos falar sobre ela.

Nos últimos anos mulheres – e todos os simpatizantes – de todo mundo estão erguendo a bandeira da representatividade. O tema que antes não era tão discutido, apenas sentido, está tomando os debates do movimento feminista, das redes sociais, dos veículos de mídia de grande importância mundial, das discussões corporativas, das premiações artísticas internacionais, como aconteceu em Cannes, dos mais importantes eventos, como o Fórum Econômico Mundial, que em 2018, pela primeira vez, foi presidido apenas por mulheres, e também da mesa de bar no final de semana com seus amigos.

Lentamente o caminho está sendo reescrito e você já parou para pensar como isso interfere na sua vida? Hoje queremos contar aqui como a representatividade, a mulher e o mercado de trabalho estão relacionados diretamente. Isso porque mulheres como você tiveram a atitude de encarar essa difícil missão e estão aí, pegando sua fatia no mundo.

(Respira e não pira, pois esse artigo não é para desestimular você!).

 

Respeita as minas!

Hoje no Brasil, as mulheres somam quase oito milhões de empreendedoras, segundo o Sebrae, e mais da metade dos novos negócios abertos em 2016 foram fundados por mulheres. Olhando globalmente e pegando carona na pesquisa divulgada em 2017 pela Global Entrepreneurship Monitor (GEM), o empreendedorismo feminino está ascendendo e a atividade empreendedora entre elas aumentou 10%, afastando os míseros 5% que marcavam em 2014. Ainda pela GEM, em 2016, 163 milhões de mulheres estavam iniciando negócios em 74 economias em todo o mundo, enquanto 111 milhões estavam administrando empresas estabelecidas.

Representatividade? Sim, mas infelizmente nem tudo podemos comemorar, isso porque não podemos esquecer que por trás de um empreendedor ou empreendedora, existe uma história. E para as mulheres essa história nem sempre é apenas por coragem de querer ter um negócio próprio, especialmente no Brasil. Mulheres-mães, por exemplo, acumulam dados assustadores de demissões. Veja esses números lançados pela FGV:

– 5% das mulheres são demitidas 1 mês após a licença-maternidade

– 15% são demitidas 2 meses depois da licença-maternidade

– 48% são demitidas 7 meses depois da licença-maternidade

A conclusão deste estudo permite-nos afirmar que se você se tornar mãe, suas chances de ser demitida após 6 meses da licença-maternidade é de até 10%, e em até dois anos, de 50%. E o que queremos mostrar com isso é que muitas dessas mulheres, diante da dificuldade do mercado de trabalho, optam por arriscar-se em ter o seu próprio negócio, seja ele uma grande ideia estilo “Vale do Silício”(as famosas startups) ou a sua confecção caseira de cupcakes.

 

Mea Culpa ou seria mãe-culpa

Licença pelo trocadilho, mas dados de outra pesquisa, colocam que as mães carregam, além da iminência do risco de demissão, a culpa por não passar tanto tempo com seus filhos, como suas mães, na sua maioria, faziam. O mundo mudou como vocês podem perceber e viver, e cada vez mais precisamos nos dividir entre ser bem-sucedidas no trabalho, uma mãe exemplar e uma dona de casa impecável, isso mesmo, casa, comida, roupa lavada, filhos perfeitos, cargo de liderança e salário na conta (#picoftheday).

Mas, pera. Você é capaz de dar conta disso tudo sim. E mais ainda, você é capaz de perceber que perfeição não existe e que você não precisa da aprovação de terceiros para administrar a sua vida, e você pode ocupar os espaços que você almejar. Além disso, você não precisa carregar tudo isso sozinha. Você não está sozinha, mesmo que tudo pareça tão insatisfatório.

 

videoconsulta com especialistas

De segunda a sexta-feira

Voltando a rotina no trabalho, empresas que constroem um ambiente de trabalho mais diverso estão mais propensas a multiplicar novas ideias e, consequentemente, respondem de forma mais diferenciada aos problemas e às soluções. E para isso você não precisa de pesquisa e dados nenhum para comprovar. Basta você olhar ao seu redor para perceber que espaços mais livres para discussão e vozes de diferentes, trazem as novidades mais criativas e rentáveis do mercado atual.

No Brasil, algumas empresas já praticam algumas iniciativas de equilíbrio de gênero no seu quadro de colaboradores e em sua liderança, mas se você é mulher e ainda não tem ao seu lado, no trabalho, uma grande líder-mulher que lhe traz inspiração e sente dificuldades de encontrar o seu espaço, ou para ser a tal líder ou simplesmente exercer a sua função e ter lugar para a sua opinião, é isso aí mesmo, você sente o que quase a totalidade das mulheres sente.

A boa notícia é que é possível vencer esse sentimento e você só vai conseguir se você tentar. Agora, se você já tenta ou vai passar a tentar, e encontrar alguma dificuldade, não desista, una-se! Procure as suas amigas, reúna suas colegas de trabalho, participe de eventos, procure grupos de discussão, treinamentos e coaches especializados. Há muita gente produzindo ações para melhorar os índices de representatividade feminina.

PS.: Não escrevemos esse texto para dizer que todas as mulheres devem trabalhar fora para exercerem a representatividade. Ele foi escrito para todas as mulheres, homens e àquelas(es) que preferem não optar por uma coisa e nem outra, se informarem sobre o tema, com uma pitada de comentários nada imparciais e uma vontade imensa de desejar que você se sinta representada(o), sempre. Porque você pode ser o que você quiser.

 

Esse artigo foi livremente escrito por uma mulher, balzaquiana, carioca trabalhadora de Sampa, comunicóloga, feminista, curiosa, solteira, sem filhos e que passa exatamente pelos mesmos dilemas que você. Prazer! E enquanto você lia tudo isso, a Stacey Cunninghan, mulher de 43 anos, assumia, após 226 anos de história, a liderança da Bolsa de Valores de Nova York. (O Globo, 22/05/2018)

 

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Mari Soares

Mari Soares

Carioca, balzaquiana, trabalhadora de Sampa, comunicóloga, feminista, curiosa, solteira, sem filhos.
Mari Soares