Quando alguém que amamos se vai, ou com a ameaça de perda iminente, nasce uma angústia avassaladora; várias incertezas e perguntas sem respostas. Isso dói. Corrói.

Por que você se foi? O enlutado se pergunta e, dificilmente, consegue resposta. Os esforços para compreender a perda são grandes, contudo, as respostas nem sempre são satisfatórias. As conclusões, por vezes, são formadas por pessoas próximas ou pelo próprio esforço de pensamento. Mas o fato é que a morte faz parte da vida. Porém também faz parte das questões que nem sempre estão ao alcance de uma compreensão lógica.

Com duração variável, o sofrimento intenso é, muitas vezes, paralisante. O que não significa que seja patológico, podendo ser algo natural em decorrência do forte vínculo que foi estabelecido. Por um tempo (o tempo do luto) é esperado que isso aconteça e, é importante que aconteça, inclusive. Não dá para depositar expectativa no tempo como remédio único para cicatrizar feridas, reparar danos e solucionar questões difíceis. No entanto, com o tempo, tem-se a possibilidade e o espaço necessário para que se possa ir elaborando melhor as dores. O tempo é um espaço possível para que coisas que pareçam gigantes possam se diluir neste espaço e tornarem-se mais acessíveis.

Chega um momento (com um tempo relativo e particular) em que a vida precisa seguir. É preciso lembrar-se de que, embora alguém importante tenha ido, a própria vida é também muito importante. Nem sempre o acompanhamento psicológico vai ser necessário, pois é possível lidar com a dor e seguir com as atividades habituais, sem grandes desordens. No entanto, a morte é potencialmente um evento traumático, que pode romper com o equilíbrio das estruturas psíquicas e emocionais. Merece atenção. Além disso, diante da vida agitada da maior parte das pessoas e com as limitações que cada um tem para lidar com o sofrimento (próprio e o do outro), não há espaço para compartilhar a dor da perda.

Passa-se por cima. Faz-se um esforço desmedido de não entrar em contato com os conteúdos que estão latentes. Ficando dessa maneira, superficialmente “tudo bem”. Deste modo, os sentimentos conflitantes, por ora adormecidos, podem vir a agravar o luto, tornando-o uma depressão etc. E é aí que o acompanhamento psicológico torna-se imprescindível.

A psicoterapia é também um espaço para o auxílio na significação da morte, na legitimação da dor e para uma escuta empática da perda conflituosa. É a oportunidade de preparação, de sentir, de permitir-se estar triste. Mas também é um espaço de mudança e de alegria. É poder encontrar um sentido para a própria vida, mesmo após a morte de um ente querido.

Um profissional pode proporcionar o acolhimento necessário a essa fase complexa da vida, que é a morte.

“A gente prepara, com carinho e alegria, a chegada de quem a gente ama. É preciso preparar também, com carinho e tristeza, a despedida de quem a gente ama.” (Rubem Alves)

Barbara Farias

Barbara Farias

Formada em Psicologia, possui Aprimoramento em Psicologia Hospitalar (UNICAMP), Mestrado Interdisciplinar em Ciências Humanas e Sociais (UNICAMP) e é especializanda em Psicoterapia Breve Psicanalítica e Pronto Atendimento Psicológico (UNICAMP). Experiência nas áreas clínica e hospitalar.
Barbara Farias

Últimos posts por Barbara Farias (exibir todos)