O que é procrastinação? Nada mais é do que adiar ou prolongar uma situação para depois.  É “ficar” muito ocupado fazendo coisas que não precisa ou não são urgentes, para evitar fazer coisas que realmente são prioritárias. Quem nunca se encontrou nessa situação?

Apesar de ser um comportamento ruim, todos nós, sem exceção, em algum momento praticamos esse ato em assuntos ou temas de diferentes relevâncias. A nossa tendência é sempre adiar atividades que não nos são prazerosas. A famosa mania de deixar tudo para depois, sem pensar nas consequências desse ato.

A procrastinação tem graus e pode se relacionar a assuntos de todas as importâncias, indo desde o aparentemente inocente fato de deixar a arrumação de um cômodo para depois, até algo de muita importância que poderá afetar sensivelmente a vida do indivíduo. Se o ato de procrastinar se tornar um hábito, inconscientemente a pessoa poderá começar a subestimar o tamanho de uma tarefa e até mesmo a se auto sabotar.

A procrastinação muitas vezes acontece como um recurso de fuga de uma situação estressante, quando não estamos confortáveis com o desconhecido ou com situações de estresse e a solução fácil (e não resolutiva) que criamos para evitá-las é ganhar o máximo possível de tempo e deixá-las para depois.

A expectativa de dificuldade diante de um problema ou desafio, é outro fator gerador da procrastinação. Quando acreditamos que algo vai ser difícil a tendência natural é adiarmos entrar em contato com ele.

A procrastinação, além dos seus mais variados efeitos (quase sempre negativos) diretos em nossa vida pessoal e profissional, também pode despertar sentimentos e problemas como a baixa autoestima , depressão e ansiedade, prejudicar sua carreira, a produtividade, relacionamentos e até mesmo sua saúde.

Alguns tipos de procrastinadores:

O tipo que adia a tarefa por estar dominado pela pressão, prazos, falta de habilidade e falta de foco

A pessoa tem a tendência de achar que precisa relaxar para entregar a tarefa e depois se desespera quando o tempo vai se esgotando, caindo em um ciclo vicioso, onde tudo é feito na última hora e muitas vezes em qualidade inferior à capacidade do indivíduo.

O tipo que vive fazendo lista de tudo que precisa ser feito


A lista se torna interminável, pois ele põe o item e o subitem, por exemplo: o item é trabalho da faculdade e o subitem seriam os tópicos a serem pesquisados. Normalmente, estes indivíduos não conseguem priorizar as atividades, muitas vezes deixando-as apenas em uma lista. Organizar os seus afazeres é positivo, mas não quando isso consome um precioso tempo que deveria ser utilizado na realização de uma tarefa mais corriqueira e não em um longo planejamento de uma lista de coisas a serem feitas.

O tipo que quando precisa fazer algo, acaba dormindo

Procrastinação: você jogando contra si mesmo
A pessoa tem que estudar para uma prova, pega o livro e acaba dormindo. Precisa lavar louça, almoça e dorme. Frente a uma atividade não prazerosa, ele julga que o melhor é dormir. O problema é que quando ele acorda para fazer o que precisa ser feito o tempo passou e aí bate o desespero.

O tipo que deixa para amanhã


Geralmente esse tipo de procrastinador não tem um prazo definido para realizar aquela tarefa, então ele pensa sempre em postergá-la para um momento futuro. Tudo se torna uma desculpa para ele ter deixado para amanhã. Ele mesmo se convence de que amanhã vai fazer de qualquer jeito, ele sempre acredita que haverá o amanhã. E às vezes, esse amanhã nunca chega para esta pessoa.

O tipo que foge de suas responsabilidades direcionando sua energia para outras tarefas. Ex: Abandonar a tarefa de sua responsabilidade para realizar outra tarefa que lhe dê prazer.


Redes sociais, vídeos no Youtube,  jogos e séries são excelentes ferramentas para os procrastinadores, pois eles sempre acham que só um minutinho não vai atrapalhar em nada, mas o problema é que os minutinhos se tornam horas e eles nem percebem o tempo passar e quando se dão conta, novamente, vem o desespero.

Dicas para evitar a procrastinação:

– Não pense muito, o importante é dar o primeiro passo, as tarefas que não são prazerosas têm de ser feitas. Faça logo e sinta-se satisfeito por já ter feito aquilo que era muito chato. Afinal, a tarefa chata cumprida pode levar ao prazer e a satisfação.

– Descubra em que momento do dia você rende mais para realizar as tarefas que são menos prazerosas para você. Lembre-se: elas terão de ser feitas, então aproveite para realizá-las quando estiver mais disposto.

– Procure listar suas tarefas priorizando as mais importantes para menos importantes, mas sem fazer deste processo uma atividade maior do que a realização da própria tarefa

– Colocar prazos menores em suas atividades pode ajudar a realizá-las. O prazo pode ser a diferença em fazer ou não fazer, pois se não é importante a tendência é “empurrar” com a barriga, postergar o máximo possível.

– Combata a distração para focar na ação. Identifique quais são os fatores que lhe causam distração e fique longe deles. Se sua distração está nas redes sociais, não entre nem para dar uma olhadinha. Se for a televisão, mantenha ela desligada. Se você conseguir ficar longe dos fatores que lhe causam distrações irá o auxiliar a realizar as tarefas necessárias.

– A terapia também pode ser uma ferramenta importante para se ter novos comportamentos em relação ao ato de procrastinar. A procrastinação crônica, que prejudica de forma muito mais profunda o indivíduo, não permite que a pessoa perceba o que realmente está acontecendo, criando uma autodefesa freqüente de se enganar pensando apenas que o problema está em querer fazer algo de forma perfeita e em condições ideais.

Está em dúvida se o seu grau de procrastinação é elevado demais? Converse com um amigo, um colega de trabalho e peça um feedback honesto e imparcial. E se tiver condições, procure um psicólogo.

Luciana Taguti

Luciana Taguti

Profissional com 16 anos de experiência e bagagem profissional nas principais áreas de atuação do psicólogo, estando apta a compreender e auxiliar nos principais problemas de relacionamentos amorosos e familiares, questões profissionais e dilemas do trabalho, doenças crônicas e psicossomáticas
Luciana Taguti