Na mesma data em que é celebrado o Dia das Bruxas, no Brasil se comemora o Dia do Saci. Se você não sabia disso, não se sinta mal. Você não é o único.

A efeméride, criada há 10 anos como uma espécie de oposição ao Halloween, passa despercebida por muitos brasileiros. Mas por que isso acontece? Além da globalização ser um fator determinante, a resposta pode estar no complexo cultural do brasileiro.

De acordo com o fundador da psicologia analítica Carl Gustav Jung, complexo é um trauma que pode ter sido originário de algum fato vivido pela pessoa. O complexo fica enraizado no inconsciente pessoal de cada indivíduo e, quando uma situação semelhante ao trauma é vivida, essa carga de energia (complexo) é ativada, fazendo com que o indivíduo manifeste um sintoma. No complexo de inferioridade, por exemplo, o indivíduo pode manifestar baixa autoestima, falta de confiança em si ou até mesmo desprezo pelo seu potencial e identidade.

De acordo com a professora doutora da PUC de São Paulo Denise Ramos, o brasileiro vive um complexo cultural desde a sua descoberta como nação. Como as riquezas brasileiras sempre foram exploradas e usurpadas por outros povos, o Brasil sempre se viu como um território a ser explorado.

Esse complexo de inferioridade pode ser a causa da desvalorização do folclore brasileiro e do culto a elementos culturas de outros povos. O Saci-Pererê, personagem do folclore indígena, muitas vezes é desvalorizado e sua imagem, que deveria refletir a alegria e a conexão com a natureza, foi associada à figura do malandro, cujo estereótipo simboliza o complexo do brasileiro, denunciado na subversão do personagem.

Para se afastar do sentimento provocado pelo complexo de inferioridade, o brasileiro evita entrar em contato com os símbolos que podem espelhar esse sentimento. Comemorar o dia do Saci pode levá-lo a entrar em contato com um personagem que tem uma representação negativa – já que ele é o espelho da sombra do povo brasileiro.

Até a próxima.

Ana Paula Marinho

Ana Paula Marinho

Psicóloga clínica com 10 anos de experiência. Atua principalmente com questões da mulher contemporânea desde relacionamentos afetivos e trabalho até violência doméstica e abuso sexual. Também atua como psicóloga geral atendendo casos como depressão, ansiedade e fobias.
Ana Paula Marinho