“Então é natal, e o que você fez?” Bem, esse é o período clássico em que a gente faz essa pergunta. Quando novembro chega, a gente começa a ver os supermercados vendendo panetones e o comércio investindo em decoração com árvore de Natal, Papai Noel e luzinhas por todo canto. E por que será que entra ano e sai ano e têm coisas que continuam na mesma? A gente troca mensagens bonitas, faz reflexões importantes, mas chega novembro e vem de novo essa sensação de que estamos andando em círculos e que o tempo escorre pelas mãos. Você se sente assim?

Se você se pergunta por que não conseguiu alcançar as metas que listou nas suas Resoluções de Ano Novo que fez no ano passado e, como muita gente, chega à conclusão de que algo ficou para trás, que alguma coisa não foi cumprida ou de que ainda há algo pendente, várias razões podem justificar isso. Dentre elas, procrastinação, falta de foco, sobrecarga de atividades, auto sabotagem e eventos imprevistos concorrentes, por exemplo. Você pode adotar centenas de estratégias de coaching e ferramentas de gestão do tempo, assistir palestras motivacionais, usar lembretes, agendas, post-its. Mas se você não cuidar do que essencialmente está por detrás desses mecanismos, novos anos virão e as coisas continuarão iguais.

Vou então listar cinco REAIS razões que, com certeza, estão subjacentes a todas essas outras e que, ao conhecê-las, você pode aumentar suas chances de cumprir suas resoluções de vida.

1 – Você não sabe o POR QUÊ começou com seus maus hábitos

Provavelmente, quando você iniciou um hábito que hoje julga como mau, ele tinha uma razão de ser. É provável que ele tenha surgido para te trazer algum grau de conforto e proteção, mas na época, você não tinha como se dar conta de que ele viria a ser um hábito nocivo.

Por exemplo, uma pessoa pode ter começado a beber nas festinhas de adolescência para se sentir mais incluída na turma da escola ou para vencer a timidez e, com o tempo, esse hábito pode ter se tornado uma estratégia de esquiva para outras situações difíceis. Nesse processo, é comum sentir culpa e vitimização, mas é importante trabalhar esses sentimentos e olhar para a construção dos seus hábitos como parte da sua história

2 – Você precisa se perguntar PARA QUÊ esses hábitos servem

Ok, tendo identificado como seus hábitos destrutivos foram formados e aceitando que eles fizeram parte da sua história até aqui, o passo seguinte é se perguntar como transforma-los. Sim, por que com certeza nesse ciclo que se repete, existe uma recompensa que mantém o hábito e te faz ficar preso a ele. O primeiro passo é reconhecer que recompensa é essa e encontrar outra maneira de obtê-la. Por exemplo, se sempre que me sinto ansiosa, devoro uma barra inteira de chocolate, e em seguida sinto uma sensação de prazer e relaxamento (mas que classifico como um hábito destrutivo, uma vez que sei que isso eleva minhas taxas metabólicas e me faz ganhar peso). Devo buscar outra maneira de obter essa recompensa, de maneira mais saudável e construtiva, como por exemplo, indo fazer uma caminhada ou convidando uma amiga para tomar um café

3 – Você precisa definir COMO vai substituir hábitos maus por hábitos bons

Estando claros quais hábitos construtivos você deseja adotar em substituição aos destrutivos, é hora de reunir esforços: trace um plano realista de quais serão seus caminhos e junte todos os recursos disponíveis. Vale de tudo: apoio de amigos e colegas, grupos de autoajuda, livros e vídeos motivacionais, planilhas pregadas no espelho, ou quaisquer outras estratégias que funcionem pra você.

E tem mais essa: defina o que funciona pra você, pois uma estratégia excelente pra uma pessoa, pode não ser pra outra. Ah, e não esqueça da famosa força de vontade. Ela é como um músculo que, para fortalecer, precisa ser exercitado. TODO. SANTO. DIA.

4 – Você está olhando para o RESULTADO e não para o PROCESSO

Tem uma frase do Gandhi que diz que “não há caminho para a felicidade; a felicidade É O caminho”. Isso significa que não temos que focar no destino e esquecer da estrada. Na verdade, a conquista dos nossos objetivos está presente em cada pequenino progresso que fazemos dia após dia. Ao invés de só me dar por satisfeita quando subir na balança e ver meu peso no valor que julgo ideal, posso já comemorar as escolhas saudáveis que fiz no almoço de hoje.

Fracione suas resoluções em pequenas partes e pare de olhar somente pro resultado final. Quando se imagina um bicho de sete cabeças enorme e raivoso, a tendência é se paralisar, sem saber por onde começar a combatê-lo. Mas se você decide lutar com ele olhando uma cabeça por vez, terá mais chances de derrotá-lo.

5 – Você precisa de uma dose de AUTOCOMPAIXÃO para cumprir suas resoluções

Tenha paciência consigo mesmo nesse processo. Ao invés de se condenar quando cair num mau hábito novamente, seja gentil e pense “Certo, era de se esperar, estava agindo assim há muito tempo. Posso continuar a partir daqui”. Muita gente se autopenitencia e desiste nas primeiras recaídas.

Mude o tipo de pensamento que diz “de novo comprei algo que não precisava, não consigo mudar meus hábitos de consumo, sou compulsivo” para “entendo que sempre que passo por um estresse, desconto nas compras. Vou me perdoar e ainda posso me esforçar para fechar o orçamento do mês, compensando os próximos gastos com mais responsabilidade e consciência”.

De posse dessas ferramentas de autoconhecimento, fica mais fácil e mais leve fazer o balanço do ano que está quase acabando, sabendo reverenciar e agradecer o que não nos serve mais e abrindo espaço para o novo. Sempre.

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Andrea Cunha

Andrea Cunha

Andrea trocou Direito por Psicologia e descobriu seu verdadeiro propósito de vida. É neuropsicóloga, Coach de Vida e mestre em Psicologia da Saúde com estrada de mais de 10 anos na área de reabilitação. Acredita que PRESENÇA e CONSCIÊNCIA são chaves para transformar qualquer realidade!
Andrea Cunha