Com certeza você já ouviu falar de autismo ou pessoas autistas. É um tema que vem sendo cada vez mais abordado pela mídia, retratado em filmes, séries e na literatura. Mesmo assim, o autismo ainda é visto pelas pessoas com alguns preconceitos e, muitas vezes, acompanhado de uma visão equivocada do que é esse transtorno e quais são as características de uma pessoa autista. Você sabe realmente o que é o Autismo?

O QUE É O AUTISMO

O nome autismo é dado a um conjunto de transtornos que causam problemas na linguagem, dificuldades de comunicação, interação social e comportamento das pessoas. Conhecido como Transtornos do Espectro Autista (TEA), o autismo não tem cura e é uma condição permanente: a criança que nasce com autismo torna-se um adulto com autismo.

Mesmo sem ter cura, o autismo pode e deve ser tratado para que a pessoa possa se adequar melhor ao convívio social e às atividades acadêmicas, profissionais, pessoais e familiares. Tenha em mente que quanto mais cedo o autismo for diagnosticado, mais eficiente será o tratamento e o processo de adaptação da família da criança autista.

AFINAL, QUAIS SÃO AS CAUSAS DO AUTISMO?

Não existe uma causa única e determinada para o aparecimento do autismo nas crianças. Até os anos 1980, autismo era considerado um transtorno adquirido por influência de fatores do ambiente. O que se sabe hoje, porém, é que o TEA é resultado de uma série de alterações no funcionamento normal do cérebro. Hoje, a comunidade médica acredita que fatores genéticos representam cerca de 90% das causas do autismo, enquanto fatores ambientais só são responsáveis por 10%.

Sim, a genética tem o maior papel no surgimento do autismo. Mesmo assim, nenhuma alteração genética específica foi apontada, até hoje, como a responsável por todos os casos desse transtorno. Pelo contrário: é provável que existam muitas mutações genéticas que podem desencadear o autismo.

QUAIS OS PRINCIPAIS SINTOMAS DO AUTISMO

Todas as pessoas que têm autismo apresentam sintomas em comum como dificuldades de comunicação, interação e comportamento social, além de apresentarem, na maioria das vezes, comportamentos rotineiros e repetitivos. No entanto, os sinais de TEA vão afetar cada pessoa de maneira e intensidade diferentes, dependendo de fatores como o grau de comprometimento, associação ou não com deficiência intelectual e com presença ou não de fala.

Algumas pessoas autistas podem ter dificuldades de aprendizado em diversas fases da vida, desde o estudo na escola até aprender atividades da do dia-a-dia consideradas simples, como tomar banho ou preparar a própria refeição. Enquanto muitos podem levar uma vida relativamente “normal”, outros autistas podem precisar de ajuda profissional durante toda a vida.

COMO IDENTIFICAR OS PRIMEIROS SINAIS DE UMA CRIANÇA AUTISTA

Os primeiros sinais de autismo geralmente surgem quando a criança tem entre 2 e 3 anos de idade, momento em que ela tem uma maior interação e comunicação com as pessoas e o ambiente. Veja algumas características que podem te ajudar a identificar se uma criança pode apresentar o Transtorno de Espectro Autista:


Na interação social

  • Não olhar nos olhos ou evitar não olhar nos olhos mesmo quando alguém fala com ela;
  • Risos e gargalhadas inadequadas ou fora de hora, como durante um velório ou uma cerimônia de casamento;
  • Não gostar de carinho ou afeto e por isso não se deixa abraçar ou beijar;
  • Dificuldade em relacionar-se com outras crianças e por isso prefere ficar sozinho do que brincar com elas;
  • Repetir sempre as mesmas coisas, sons e palavras; brincar sempre com os mesmos brinquedos.


Na Comunicação e Linguagem

  • A criança sabe falar, mas prefere não falar nada e mantém-se calada por horas, mesmo quando fazem perguntas para ela;
  • Repete a pergunta que lhe foi feita várias vezes seguidas sem se importar se está chateando os outros;
  • Mantém sempre a mesma expressão no rosto e não entende gestos e expressões faciais dos outros;
  • Quando fala, a comunicação é monótona e com tom pedante. (Escrevemos um artigo falando de como você pode superar a dificuldade de comunicar com filhos.)


No comportamento e personalidade

  • Não tem medo de situações perigosas, como atravessar a rua sem olhar para os carros;
  • Aparentemente não sente dor e parece que gosta de se machucar ou de machucar os outros de propósito;
  • Olha sempre na mesma direção como se estivesse parado no tempo;
  • Fica se balançando para frente e para trás por vários minutos ou horas ou torcer as mãos ou os dedos constantemente;
  • Dificuldade a se adaptar a uma nova rotina ficando agitado, podendo se auto agredir ou agredir os outros;
  • Ficar extremamente agitado quando está em público ou em ambientes barulhentos.

COMO OS SINTOMAS APARECEM EM ADOLESCENTES E ADULTOS AUTISTAS?

Os sintomas de autismo podem ser mais leves em adolescentes e adultos por dois motivos principais: os sinais do transtorno passaram despercebidos durante a infância ou devido à melhora por meio de tratamentos especializados. Algumas características comuns em jovens autistas são:

  • Ausência de amigos. Geralmente, o contato com pessoas se limita ao círculo familiar, colégio ou relações virtuais pela internet;
  • Evitar sair de casa, tanto para atividades habituais, como utilizar transportes e serviços públicos, como para atividades de lazer, preferindo sempre atividades solitárias e sedentárias;
  • Muitos não conseguem ter autonomia para trabalhar e desenvolver uma profissão;
  • Costumam ter sintomas de depressão e ansiedade;
  • Dificuldade de interação social, e interesse apenas em atividades específicas.

EXISTEM QUANTOS TIPOS DE AUTISMO?

Segundo a classificação do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), existem 3 tipos principais do Transtorno de Espectro Autista, cada um representando uma intensidade e maneiras diferentes de como o autismo se manifesta:


Síndrome de Asperger

A Síndrome de Asperger é a forma mais leve do espectro autista. Ela se diferencia do autismo clássico por não implicar qualquer atraso de linguagem significativo ou prejuízos Esse tipo de autismo tem algumas características como excepcionais habilidades verbais, problemas com simbologias e com habilidades sociais e também comportamento obsessivo em interesses especiais.

A síndrome afeta três vezes mais meninos e, pelo fato do autista que tem Asperger apresentar inteligência acima da média, alguns especialistas a chamam de “Autismo de Alto Funcionamento”. Por outro lado, pessoas com Asperger têm grande chance de desenvolver transtornos como depressão e ansiedade na fase adulta.

Transtorno Invasivo do Desenvolvimento

Pessoas que são diagnosticadas com o Transtorno Invasivo do Desenvolvimento, dentro do espectro autista, são aquelas que têm um grau de autismo um pouco mais grave do que a Síndrome de Asperger e mais leve do que o transtorno autista.

Pessoas que têm esse tipo de transtorno podem apresentar diversos e diferentes sintomas. Os mais comuns são: interação social prejudicada; competência linguística superior ao transtorno autista, mas inferior a Síndrome de Asperger; menos comportamentos repetitivos.

Transtorno Autista

O rranstorno autista abrange todas as crianças e adultos que apresentem sintomas mais graves do que os manifestados na Síndrome de Asperger e no Transtorno Invasivo do Desenvolvimento. Nesse tipo de autismo, a capacidade social, cognitiva e linguística é bastante afetada, além de terem comportamentos repetitivos em grande intensidade.

Esse grau do espectro autista normalmente é diagnosticado antes dos três anos de idade e ele pode ser identificado por meio de alguns sinais como: desenvolvimento atrasado da linguagem atrasada, dificuldade em fazer pedidos usando a linguagem; falta de contato com os olhos quando se fala e auto-estimulação comportamento como balançar ou bater as mãos.

DIFERENTES TRATAMENTOS PARA O AUTISMO

Se o autista for diagnosticado cedo e começar logo os tratamentos adequados, ele pode melhorar muito seu nível funcional no dia-a-dia. O tratamento também pode ajudar adolescentes e adultos a aprender maneiras de enfrentar as dificuldades do autismo e melhorar suas habilidades sociais e comunicativas. Conheça as formas mais comuns de tratar o autismo:


Fonoaudiologia

A fonoaudiologia é um dos tratamentos mais importantes para o autista, já que se concentra nas habilidades de linguagem e comunicação da pessoas. Esse profissional pode ajudar a pessoa que sofre de autismo a melhorar sua comunicação social e o uso funcional da linguagem.


Ludoterapia

A ludoterapia é indispensável para crianças diagnosticadas com autismo. Por meio de brinquedos e jogos que atraem o interesse da criança, o terapeuta (esse tratamento também pode ser feito por um dos pais) trabalha para facilitar a interação social e o contato visual da criança.


Grupos de habilidades  sociais

Como o próprio nome já diz, são reuniões entre pessoas que têm autismo, nos mais variados graus, para praticar interações comuns no dia-a-dia e assim melhorar sua comunicação e comportamento social.


Análise Aplicada do Comportamento(ABA)

A ABA é uma análise comportamental da criança por meio dos que princípios da teoria do aprendizado. Como o autismo é um transtorno que pode trazer excessos comportamentais, a ABA tem o objetivo de amenizar certos comportamentos considerados nocivos e estimular outros, como a maneira que a criança dá ao ambiente exterior.


Medicação   

Não existe uma medicação direcionada propriamente ao tratamento do autismo, mas existem medicamentos que podem ajudar a melhorar alguns problemas comportamentais e emocionais que aparecem em pessoas com autismo, como: agressividade; ansiedade; hiperatividade; impulsividade; irritabilidade, alterações de humor e ataques de raiva.

APRENDA A LIDAR COM A NOVA ROTINA

Por causa de todas essas dificuldades de comunicação, interação social e alterações comportamentais, o autismo não afeta só a pessoa que tem o transtorno e sim, impacta a rotina de toda a família. Os cuidados necessários para uma criança autista e os desafios que os pais têm que enfrentar podem ser muito exaustivos fisicamente e emocionalmente. Por isso, separamos algumas dicas que podem ser muito úteis para conviver melhor


Construa uma rede de apoio

Tomar decisões sobre a educação e o tratamento do seu filho autista não é uma tarefa fácil. Por isso, é muito importante o suporte de uma equipe de profissionais qualificada e de confiança. Outra dica valiosa é procurar o apoio de outras pessoas que enfrentam os mesmos desafios de um caso de autismo.


Tire um tempo para si mesmo

Lidar com os desafios do autismo pode ser extremamente exaustivo. Não esqueça de reservar um tempo só para você e relaxar um pouco. Isso evita que seus relacionamentos pessoais e familiares não sejam afetados por essa rotina estressante.

Saiba mais sobre o transtorno e sobre opções de tratamento

Procure sempre se informar sobre o autismo e novidades da área. Além de existirem muitos mitos sobre a questão, há sempre novos estudos buscando tecnologias e terapias inovadoras para o tratamento dos sintomas do autismo.

Aqui no Zenklub, temos mais de 100 especialistas que atendem por vídeo-consulta, que podem te ajudar a lidar com os mais diversos desafios do autismo. 

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Proporcionar um estilo de vida mais saudável e permitir que as pessoas se empoderem da sua saúde emocional e bem-estar é o objetivo do Zenklub. Para além das matérias no blog, no site você pode consultar um psicólogo por vídeo-chamada de onde estiver. São mais de 80 psicólogos a um clique de distância.
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